Home Data de criação : 07/09/23 / Última atualização : 08/05/16 10:03 / 26 Artigos publicados
 

Rita Lee e a Casa dos Políticos  escrito em sexta 16 maio 2008 09:59

Blog de dentrodarte : DENTROD´ARTE, Rita Lee e a Casa dos Políticos

Rita Lee e a Casa dos Políticos

Roberto D´arte

 

    Polêmica e bem humorada desde sempre, a cantora e compositora Rita Lee há pouco tempo teve uma idéia no mínimo curiosa. Ressaltando a inutilidade de programas como o Big Brother, que virou carro-chefe da Rede Globo nos oito últimos verões, a ex-Mutantes sugeriu que se aproveitasse o modelo do programa na política.

        A sua proposta, originalmente focada numa disputa presidencial, pode perfeitamente ser adaptada para qualquer esfera. Em ano de eleições municipais seria possível, inclusive, ter vários laboratórios para checar a eficiência ou não da idéia. Rita Lee propõe colocar todos os pré-candidatos à Presidência da República trancados em uma casa, debatendo seus respectivos programas de governo.

       “Sem marqueteiros, sem máscaras e sem discursos ensaiados. Toda semana o público vota e elimina um. No final do programa o vencedor ganharia o cargo público máximo do país. Além de acabar com o enfadonho e repetitivo horário político, a população conheceria o verdadeiro caráter dos candidatos”, disse a vovó roqueira (sem nenhum trocadilho).

     A Casa dos Políticos de Rita Lee possivelmente não teria a mesma audiência da já conhecida casa do Big Brother Brasil. Afinal, a maioria esmagadora dos representantes da nossa classe política não possui atributos físicos para chamar a atenção do público ávido por ver corpos sarados e insinuações sexuais. Já nos quesitos “intrigas” e “provocações”, com certeza ela não deveria nada à casa do BBB.

       É lógico que tamanha exposição não seria possível sem regras bem definidas. Uma delas deveria estipular que a cada semana os candidatos apresentassem seus projetos em áreas fundamentais, como Saúde, Educação, Economia, Segurança, Agricultura, etc. Numa votação do eleitor-telespectador, o dono do melhor projeto assumiria a liderança da casa; o pior seria eliminado sumariamente, já que um presidente (governador ou prefeito) deve ter um programa de governo que seja eficaz em todos os setores.

       Sem assessores para livrar os candidatos de possíveis tropeços, a Casa dos Políticos seria uma verdadeira casa com telhado de vidro. Ali apareceriam os defeitos e as qualidades de cada um. Tamanho confinamento faria virem à tona os mais variados perfis psicológicos, conhecimentos (ou desconhecimentos) de mundo e capacidades (ou incapacidades) para lidar com situações peculiares no cotidiano de líderes e administradores.

   Além de um modelo mais eficaz, a proposta de Rita Lee possivelmente seria mais barata para os cofres públicos. Os gastos se resumiriam à montagem da casa e seus apetrechos tecnológicos. As redes de TV seriam obrigadas a transmitir os programas em horários definidos, como já acontece no horário eleitoral gratuito, e o Ministério das Comunicações, a providenciar um 0800 para as ligações gratuitas dos eleitores nos dias de eliminação. Ainda que o projeto-piloto não desse certo, pelo menos despertaria o riso fácil (e quem sabe a consciência!) de milhões de brasileiros nos quatro cantos do país. 

(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 16 de maio de 2008)

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Eu era feliz e sabia  escrito em sexta 09 maio 2008 09:42

Blog de dentrodarte : DENTROD´ARTE, Eu era feliz e sabia

Eu era feliz e sabia

Roberto D´arte


        Dono de incontáveis sambas magistrais, o cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves sabia como trazer à tona reflexões sobre temas existenciais. Não que ele tivesse pretensões filosóficas – sua biografia foi bem atrelada à música, mas suas letras são motes para os mais diversos assuntos ligados à intrincada natureza humana.

       Composta em 1956, “Meus tempos de criança” é, para mim, uma das obras-primas de Ataulfo, que dia 2 último teria completado 99 anos de vida. Embora tão perto de Viçosa, Miraí – sua cidade natal – continua no meu imaginário exatamente por causa desta canção.

            “Eu daria tudo que eu tivesse pra voltar aos dias de criança; eu não sei pra que a gente cresce se não sai da gente essa lembrança”. Assim começa o sambista, certamente mergulhado nas angústias e conflitos inerentes a um homem que caminha para a casa dos 50. Também era o olhar de alguém que vivia numa grande cidade, como o Rio de Janeiro, distante de todos os seus referenciais interioranos do passado.

         “Aos domingos missa na matriz da cidadezinha onde eu nasci; Ai, meu Deus, eu era tão feliz no meu pequenino Miraí”. Em suas reminiscências, Ataulfo Alves vai buscar o que há de mais bucólico numa pequena cidade mineira com toda a sua tradição católica.

          Todas as vezes que me recordo da infância, lá na minha pequenina Boa Nova-BA, também me vêm imagens das missas nas tardes de sábado, dedicadas às crianças, nas quais, servindo como coroinha, sentia-me importante e integrado à comunidade. Mais até: lembro-me da minha mãe preparando um “banho-de-balde” meia hora antes da missa, buscando no fogão-a-lenha a água sempre quente, numa época em que a energia elétrica só funcionava das 18 horas à meia-noite através da nossa importantíssima Usina (termoelétrica).

         “Que saudade da professorinha que me ensinou o beabá; onde andará Mariazinha, meu primeiro amor, onde andará?” Neste trecho, o co-autor da imortalizada Amélia (a mulher de verdade) retoma dois aspectos cruciais de uma infância feliz: a primeira fase como estudante e os primeiros passos nos difíceis e sedutores caminhos do coração. A casa, a escola, a igreja e a praça eram em cidades pequenas como Miraí e Boa Nova os principais formadores de caráter; as bases para a expansão dos conhecimentos elementares; as fontes para o estreitamento de laços afetivos e para a tão necessária socialização.

            “Eu igual a toda meninada, quanta travessura que eu fazia; jogo de botões sobre a calçada; eu era feliz e não sabia”. Num só lampejo consigo me lembrar de uma dezena de brincadeiras típicas da minha infância na década de 70. Todas elas – em casa ou na rua, só ou na companhia dos amigos – foram decisivas para quem eu sou. Aliás, mudando o teor da constatação final de Ataulfo nesta música, posso afirmar que eu era feliz e sabia. Tanto que os ecos desta felicidade continuam a me acompanhar como uma espécie de bússola do melhor norte a vislumbrar.

(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 09 de maio de 2008)

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CONVITE  escrito em sábado 03 maio 2008 19:22

Blog de dentrodarte : DENTROD´ARTE, CONVITE

Caros leitores,

Há vida inteligente na internet. Sim, muitos sites e blogs foram construídos para divulgar boas idéias, trazer à tona o que fazem artistas e escritores pouco conhecidos ou mesmo desconhecidos do público.

É o que propõe, por exemplo, o site RECANTO DAS LETRAS ( www.recantodasletras.uol.com.br )

Dêem uma passada por lá (é só clicar no banner abaixo) e aproveitem para ler textos de minha autoria não postados aqui (neste caso, entrem na seção AUTORES e localizem meu nome).

Abraço,

Roberto D´arte

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O “Caso Isabella” paralisa a razão  escrito em sexta 02 maio 2008 09:29

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O “Caso Isabella” paralisa a razão

Roberto D´arte


     Nenhum assunto ganhou mais atenção da mídia nacional nos últimos tempos do que a investigação da morte da menina Isabella Nardoni. Comenta-se, inclusive, que tamanha repercussão se deve ao fato da vítima e dos principais suspeitos serem de classe média-alta, uma vez que crimes tão ou mais chocantes acontecem cotidianamente entre pessoas de classe baixa.

     Nesse tipo de análise o que vale a pena ressaltar é que o assassinato de uma criança é sempre muito chocante. É como se estampasse não apenas a brutalidade de que é capaz o ser humano, mas também a sua covardia em agredir um ser tão inocente e indefeso.

       Choca igualmente saber que pessoas pertencentes a uma classe social privilegiada, que têm melhores oportunidades na vida em todos os sentidos – e que, por isso, espera-se que sejam mais esclarecidas – possam ser capazes de cometer tamanha barbárie. Além disso, a morte de Isabella tem ainda um agravante: são suspeitos do crime nada menos do que o pai e a madrasta da vítima. Em tese, pelo menos para o primeiro, aquele que deveria amá-la e protegê-la.

       Esse assassinato é um atentado à razão. No campo da emoção, então, não há nem parâmetros para classificá-lo! Enfatizando o título deste texto, o “Caso Isabella” paralisa a razão, pois a tese oficial defendida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público – que foram mesmo Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá os autores do crime – deixam agora uma pergunta no ar: que motivo tiveram os dois suspeitos para matar uma menina de 5 anos?

       Ao contrário da fé e da emoção, a razão precisa de argumentos lógicos para lidar com a realidade. É possível – ainda que chocante do mesmo jeito! – traçar uma linha de raciocínio lógico que leve ao envolvimento da madrasta na morte de Isabella. Na literatura o papel da madrasta está associado a uma figura suspeita, a sentimentos negativos e até ao Mal. Vide o clássico Cinderela e outras obras famosas. Nesta vertente o(a) enteado(a) representa uma lembrança inevitável do relacionamento anterior do marido e uma suposta ameaça à nova família. O que não cabe à mente é entender como um pai pode dar fim à vida da própria filha, a não ser num acidente em que ele esteja isento de qualquer responsabilidade.

        Nesse terreno que mescla genética e afetividade a razão está acostumada a registrar informações sobre casos em que um pai entra num rio e abre com as próprias mãos a boca de um jacaré para salvar o filho; em que uma mãe projeta o corpo sobre seu bebê para que ele não seja atingido pelas balas disparadas por um assaltante... A razão foi programada para aceitar o sacrifício dos pais para que seus filhos continuem a jornada da família, para que a espécie seja perpetuada.

          Enquanto esse homicídio brutal não for totalmente esclarecido a razão coletiva continuará em curto-circuito. Mais do que a razão individual, que pode até encontrar argumentos convincentes para as loucuras de seu dono, a razão coletiva é aquela que norteia os rumos de toda uma sociedade; é aquela que dirige a Ética enquanto ciência destinada a questionar morais apodrecidas e leis suspeitas. Sem ela somos um barco à deriva.

(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, de Viçosa-MG, em 2 de maio de 2008)

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CONVITE  escrito em sexta 25 abril 2008 11:19

Blog de dentrodarte : DENTROD´ARTE, CONVITE

C O N V I T E

 

Caros leitores,

As boas idéias e boas iniciativas devem ser divulgadas. Os escritores desconhecidos ou pouco conhecidos do grande públicos têm a oportunidade de publicar seus trabalhos num site super bem intencionado, voltado exclusivamente para novos autores. Trata-se da USINA DAS PALAVRAS (www.usinadaspalavras.com)

Dêem uma passada por lá (é só clicar no banner abaixo) e aproveitem para ler textos de minha autoria não postados aqui (neste caso, entrem na seção AUTORES e localizem meu nome).

Abraço,

Roberto D´arte

 

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