O gibi do melhor Clube
Roberto D´arte
Em se tratando de arte, tudo que é realmente bom merece ser divulgado. Quem tem o Clube da Esquina como uma das melhores referências da Música Popular Brasileira não pode deixar de conhecer a história desta turma mineira na versão gibi. Basta ir lá no site Museu Clube da Esquina (www.museuclubedaesquina.org.br) e procurar pela seção “Clube em Quadrinhos”.
O projeto, que tem textos e desenhos elaborados pelo quadrinista Laudo Ferreira Júnior, é baseado em uma obra fantástica – “Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina”, do escritor, poeta e compositor Márcio Borges. Não é um trabalho necessariamente voltado para o público infantil, embora seja uma ótima oportunidade para os adultos “clubesquinistas” apresentarem a seus filhos, sobrinhos, afilhados e alunos uma verdadeira história de amizade, permeada de música, cinema, poesia e “mineiritude”.
Lançado em 1996, o livro de Márcio Borges é uma biografia coletiva, recheada de curiosidades e fotos tiradas do baú. O seu fio condutor é o próprio Márcio, que partiu da sua amizade e parceria com Milton Nascimento (o então Bituca) para contar como nasceu na Belo Horizonte da década de 70 esse clube sem paredes, mas de base muito sólida.
Parte do título da obra é uma referência à belíssima canção “Clube da Esquina 2”, fruto de uma das muitas parcerias entre Milton Nascimento, Márcio Borges e seu irmão Lô Borges. “Porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos, e sonhos não envelhecem”: a frase traduz bem o espírito do livro enquanto registro das buscas e descobertas de jovens que perseguiram sonhos simples, como tantos outros sempre fizeram e ainda o fazem.
A versão em quadrinhos ficou bem interessante, pois seu autor conseguiu captar a leveza que Márcio consegue imprimir em suas memórias. Os traços expressivos de Laudo deram vida a uma ambientação que no livro fica por conta da imaginação do leitor. Claro que é sempre muito bom exercitar esta tarefa, mas é gratificante também ver uma obra literária ser transposta para outras linguagens artísticas, como o cinema, o teatro e, neste caso, para os quadrinhos.
Pouco a pouco o quadrinista vai mostrando as versões em desenho de Milton, Lô, Márcio, Beto Guedes, Fernando Brant, Toninho Horta, Ronaldo Bastos, Wagner Tiso, Tavito e outros tantos protagonistas de canções memoráveis e de um movimento que apontou caminhos originais para a música brasileira. Foram eles os responsáveis pelo que mais tarde viria a ser chamado de “a música de Minas”, com melodia, temática e estética próprias.
O Clube da Esquina influenciou e continua influenciando novas gerações de cantores, compositores e bandas nascidos em terras mineiras e fora delas. Mais até: seus expoentes continuam em plena atividade, com trabalhos solos e parcerias que mantêm cativa uma legião de admiradores no Brasil e no exterior.
(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viçosa-MG, em 27 de junho de 2008)






